terça-feira, 20 de outubro de 2009

A NOSSA MAIOR VERGONHA!

Aquela multidão em Copacabana pulando igual aos sapos em lagoa dava o que pensar, quando foi escolhido o Brasil para sediar as Olimpíadas de 2016. Um país ainda miserável, repleto de favelas, de trabalhadores mal pagos, de corrupção ativa e passiva dos políticos, com um passado tenebroso de ditaduras, de uma escravidão ainda por ser extinta, porque quando somos mal pagos não passamos de escravos. Acabar com a escravidão através de decreto é fácil o difícil é corrigir as consequências advindas de uma população abandonada desde o 13 de maio de 1888, vivendo num país onde os políticos gritam aos quatro cantos do mundo uma democracia das mais atuantes, enquanto a miséria absoluta domina boa porcentagem da população. Isto não é propriamente uma democracia e sim um flagrante costume de escravizar o trabalhador através da pobreza. O pobre permanece na condição social que os ricos e os políticos desejam: sem educação para a mão de obra não ter os custos que em outros países civilizados têm. Brasileiros em levas vão para esses países justamente em razão desse comportamento ditatorial aqui no Brasil, quando lá fora o capital paga muito bem pela mão de obra desqualificada. Aqui exigem a qualificação, quando não temos acesso a essa qualificação. Os ricos têm em abundância esse acesso e apenas eles usufruem de uma cidadania verdadeira.
Legalmente a escravidão acabou, porém esses governos republicanos desde o golpe contra a monarquia não conseguiram melhorar a vida da população pobre. Ou seja: “eles” não conseguem acabar com a miséria, simplesmente porque roubam demais. E o pior: não existem leis que punam exemplarmente os ladrões dos cofres públicos e eles, os políticos, jamais legislarão contra eles mesmos. Fica a impressão de que a República não queria acabar com escravidão e em razão disso fizeram o imperador sair correndo do Brasil com o golpe, assim o Brasil continuou na mesma escravidão, com apenas uma evolução social pela extinção do chicote. Mas, permaneceu a miséria das favelas, das palafitas nos alagados, dos empregos mal pagos e, além disso, ainda temos a “bolsa-esmola”, paga por um governo que não conhece a dignidade humana. Se conhecesse saberia que a esmola deteriora o espírito do trabalhador. Tudo para estimular a frequência escolar das crianças, ainda que tenha de sentar no chão de escolas sem carteiras, sem telhados, sem lousas, sem cadernos, sem escolas, sem professores, sem nada, nem mesmo a vontade dessas crianças. A “bolsa-esmola” é a vontade de estudar comprada pelo governo, quando não existem escolas dignas nas zonas rurais e nos sertões.
Somos obrigados a votar nesses mesmos políticos aranzéis de sempre até aos 70 anos de idade, começando com 16 anos e a cada dois anos. Gastam-se rios de dinheiro para cada eleição, a qual poderia ser apenas de quatro em quatro anos. Mas, dinheiro no Brasil é capim para “eles”. Então, votamos obrigatoriamente a cada dois anos. É um sufoco! Ainda se houvessem bons candidatos, mas isto é apenas uma piada imaginada. Não há bons políticos, aliás, nunca houve. O bom político é aquele que ao se eleger trabalha bastante e ao deixar o cargo continua pobre. Mas, este modelo no Brasil não é conhecido da população. Eles começam pobres e saem milionários, mais do que se houvessem ganhado numa mega-sena. E o povo gosta disso porque já se acostumou a algo que “eles” conseguiram adaptar ao gosto da população. Tudo longe da verdadeira democracia porque numa democracia verdadeira o cidadão nem precisa votar se não está com vontade de votar. O país antidemocrático obriga o povo a votar e este é o nosso caso. Esta obrigação nasceu do medo dos políticos de não existirem eleitores suficientes para elegê-los, então fazem as leis favorecendo a eles mesmos. Exemplo maior é justamente a obrigação de votar até os 70 anos e começando pelos 16 anos.
Países nascidos da mesma maneira nossa, como os EUA, Canadá e outros já avançaram demais na honra e na cidadania de seus povos, enquanto nós simplesmente não fomos colonizados por pessoas de grandioso espírito de fraternidade, igualdade e liberdade. Fomos colonizados por espertalhões, enganadores, ladrões e até assassinos. As exceções só começaram depois da chegada dos imigrantes muito mais politizados e avançados socialmente. Uma olimpíada ainda por ser preparada deve aguçar a cobiça dos construtores, com as corriqueiras tramóias e superfaturamentos, enriquecendo os ricos, os políticos e empobrecendo os pobres que acreditam na imensa mentira dos políticos. Em 2016 a miséria será com certeza dissimulada, ou acobertada para que o mundo não veja a nossa triste e maior vergonha em procurar comida nos lixões, juntamente com uma nuvem de urubus. Esta é a anatematização do pobre povo brasileiro que não se qualificou para ser um bom e ótimo ladrão, a exemplo de grande parte dos políticos brasileiros e dos que se enriquecem com “enorme facilidade”. Depois das olimpíadas a escravidão através do emprego mal pago continuará sempre feliz e contente.

Jeovah de Moura Nunes
escritor e jornalista
Autor de “A cebola não dá rosas” entre outros livros.

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