sexta-feira, 30 de julho de 2010

A EXCOMUNHÃO DA CIÊNCIA E DO BOM SENSO!



O catolicismo atravessa uma fase de baixo astral com as declarações de dois bispos. O primeiro bispo declarou em bom tom que o holocausto não aconteceu. Tudo foi mentira. Quer dizer: os mais de seis milhões de judeus morreram sozinhos. Expulso da Argentina o religioso inglês Richard Williamson sentiu na carne o que é ser repudiado. Garanto que o Brasil não o expulsaria, em razão da religiosidade quase fanática, ou o fanatismo em muitos casos. O segundo, um acerbispo brasileiro de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, excomungou os médicos e outros envolvidos no aborto, realizado numa menina de nove anos, grávida de gêmeos e vitimada que foi por um estupro cometido pelo padrasto em Alagoinha, PE. O que a gente percebe é que a igreja católica, não acompanhou o progresso da humanidade. A menina certamente morreria com o parto difícil em razão principalmente da idade. Mas, no entendimento do arcebispo a menina pode morrer, os fetos não.
Hoje não vivemos como se viveu nos tempos da inquisição. Os padres e bispos daqueles tempos adoravam queimar mulheres publicamente, chamando-as de bruxas, somente porque possuíam alguma mediunidade. Hoje com o oito de março, o dia da mulher, instituído pela URSS porque o capitalismo jamais faria isto, tornou-se um dos dias mais respeitados de todos os tempos. Os padres deveriam saber que as mulheres nunca foram bruxas e sim as bonecas, as rosas, as belezas desse maravilhoso jardim das fêmeas da espécie. Havia um receio enorme dos padres de que as mulheres pusessem em perigo a igreja católica, já que muitas delas sabiam do assédio sexual dos padres e até bispos. Se esses padres mataram milhares de pessoas na inquisição, então temos mais um holocausto praticado pela intolerância de uma crença. Imagino que o Senhor Jesus não veio ao planeta para que houvesse tais acontecimentos numa fé, que fala em nome Dele. O mundo mudou. O homem avançou no conhecimento, na ciência, todas as ciências, inclusive a social, que parece não ter avançado nas hostes do catolicismo. Falar abobrinhas é muito próprio de quem não acompanha o avanço do conhecimento da humanidade. É preciso mudar isto se essa fé pretende continuar eternamente. As leis mudam, por que não mudar regulamentos religiosos diante do extraordinário progresso científico? Na medida em que se avança no tempo, avança-se também no conhecimento.
Para mim, a única missão da Igreja Católica foi trazer até nós o Evangelho de Jesus intacto. Já disse neste espaço que a missão de Jesus foi deixar o exemplo Dele e o Evangelho, este último a receita básica de bem viver, para bem morrer na carne e bem viver do outro lado na imagem e semelhança do Pai, ou seja: como espírito. O resto é balela, ou conversa para boi dormir. Uma desobediência foi praticada pelo bispo Richard Williamson, mostrando a organização religiosa em crise também de obediência, embora o Vaticano tenha exigido que o bispo se retratasse quanto à negação do holocausto, ele nunca o fez.
No caso da menina de nove anos estuprada, se a gravidez continuasse os danos físicos seriam terríveis, além dos danos morais. “A menina corria o risco de morte ou de ficar com sequelas definitivas e não poder voltar a engravidar”, alertou o médico Olímpio Moraes. A reação do arcebispo foi imediata. Assim que soube que o aborto tinha sido consumado, Dom José disse que “a Igreja Católica considera que houve um crime e um ato inaceitável para a doutrina". Assim, decidiu que "todas as pessoas que participaram do aborto, com exceção da criança, estão excomungadas da Igreja", afirmou.
Quando criança lembro-me de meu pai, que era um católico praticante, dizer com raiva de que nos anos da guerra o papa Pio XII não recebeu os quinhentos judeus que foram pedir a salvação deles próprios e dos judeus que estavam sendo dizimados na Polônia. Um papa que não assumiu sua ojeriza aos nazistas porque não possuía. Pelo contrário era simpático ao “Füehrer” talvez pelo medo de ser morto, ou ser retirado do trono papal. O interessante é que todos os comunistas e socialistas foram excomungados pelo papa, mas Hitler nunca o foi. E estava em suficiente comunhão com a Igreja de Roma para receber as mais belas preces em todos os aniverários do ditador nazista. E foi um partido católico que permitiu a Hitler chegar ao poder. Pio XII ainda não era Papa quando negociou a concordata com Hitler, e era por ele que Hitler torcia quando o Vaticano decidiu o sucessor de Pio XI. Atualmente, Bento XVI quer santificar Pio XII.
Não podemos esquecer que o catolicismo nasceu mais de trezentos anos depois da morte do crucificado. Nasceu em Roma e Roma perseguia os seguidores do nazareno, cujo símbolo não era a cruz e sim o desenho de um peixe na areia feito às pressas, mostrando ser um cristão, porque ser cristão em Roma era perigosíssimo.

(publicado em 10 de março de 2009)



segunda-feira, 31 de maio de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

OITO DE MARÇO

Se não houvesse discriminação;
Se houvesse reconhecimento;
Se a igualdade não fosse ilusão;
Se houvesse mais sentimentos;
Se o amor puro e verdadeiro
Fosse dos homens reciprocidade;
Se a coragem do pioneiro
Habitasse o homem de verdade...

Se a paciência masculina
Chegasse aos pés da mulher;
Se a destreza de felina
Pudesse o homem entender;
Se o amor materno,
O ato de parir,
pudesse o homem moderno
também viver e sentir...

Se a violência desumana;
Se o estupro animalesco;
Se o assassinato dantesco
Vitimasse de forma insana
e comumente o homem.
Se o sofrimento de um amor
apaixonado corresse o mesmo trilho;
se o homem sentisse este amor
incomparável de criar um filho,
que desde pequenino viveu
perguntando pelo pai
que não conheceu.

Se os homens lembrassem
De que ignorando a mulher redentora
Verão na hora de morrer a imagem
De sua imaculada genitora.
Porque todos nós viemos da mulher;
Tem alma feminina a poesia que faço,
Mas, por não ter a igualdade que o caso requer,
Instituiu-se o dia 8 de março
Como o dia mundial da mulher.

Se renunciasse ao machismo
E ouvisse a mulher companheira
No seu sonoro “achismo”
Feminino e dos negócios matreira.
Se, afinal, a mulher com oportunidades
Chegasse ao poder da nação,
Muito provável é que a honestidade
Venceria a porcentagem de ladrões.

Se o homem renunciasse
Ao seu orgulho de macho,
Por certo fracassaria
O dia 8 de março,
E todos os dias da Terra
Seriam consagrados à mulher
E ao homem sem guerras.
Se o homem a entender vier...
Ele, entretanto só entende
Dos carinhos da mulher
E nada mais...

(08 de março de 1995)

Jeovah de Moura Nunes
(do livro publicado em 1996: "ÉS MULHER!"





sábado, 27 de fevereiro de 2010

VIOLÊNCIAS GERANDO MAIS VIOLÊNCIAS!



Muitas pessoas com respeitosos conceitos costumam escrever elogiando o presidente Lula. Dizem que o Lula deu certo, que possui o dom de discursar muito bem e é um ótimo presidente. Não sei se tais individualidades estejam preparando um terreno para as próximas eleições deles, ou simplesmente sejam bajuladores. Talvez, nunca necessitaram de uma assistência médica em ambulatório público. Aqueles onde a massa da população se concentra em desespero por um atendimento menor que seja de um médico. Quem vai a um desses ambulatórios fica decepcionado não com o governo que sabemos ser míope, mas consigo próprio de ter acreditado que seria bem atendido. Percebe-se que a grande amizade de Lula com pessoas do tipo Hugo Chaves não é à toa. Segundo informações recentes depois desmentidas: passou a comprar gasolina da Venezuela para “socorrer” o amigo infiel, que está numa draga danada. Emprestou dinheiro à Cuba se não me engano um milhão de dólares. Emprestou também à Bolívia e outros tantos países. Antes disso a Bolívia, esperta como ela é, deu um golpe na Petrobrás. Tudo isto aceito pelo presidente Lula como se não houvesse no Brasil uns aproximados 30 milhões de pessoas em completo desespero, mais miseráveis do que pobres. Lula não governa o Brasil, quem o faz são os gorilas do PT. Ele segue apenas às exigências do protocolo governamental. E está satisfeito com isto porque pode agir como garoto propaganda com vistas a eleger Dilma: uma feroz guerrilheira do passado participante de várias ações violentas contra a ditadura, até no assalto aos cofres de Ademar de Barros. E Dilma sempre foi uma supercomunista. O presidente Lula num recente discurso de palanque disse que “é prioridade dele eleger Dilma”, porém nunca foi prioridade desse péssimo presidente melhorar o atendimento médico para o povo brasileiro.
Nós, povo, não fomos torturados pela ditadura militar como fizeram à Dilma. Porém, somos sempre torturados pelos péssimos governos de hoje, de ontem e quiçá do futuro, quando eles sequer têm a dignidade de nos contemplar com uma saúde mais humanizada. Mas, qual o quê! Quando estão no governo parecem desejar a nossa desgraça. Eles não querem investir o nosso dinheiro em serviços públicos melhores porque desejam desfrutá-lo enquanto estão no poder. Isto quando não nos roubam descaradamente. Não querem investir numa educação mais melhorada porque não pretendem educar os pobres. Mantendo-os ignorante, sem nenhuma ou péssima educação são presas fáceis dos políticos larápios. Com exceção da África não há outros países no mundo que se autodenomine de democrático, com tais comportamentos anômalos. Na democracia americana, por exemplo, o político mau caráter pega muitos anos de cadeia sem o luxo de prisão especial. No Brasil o político só vai preso depois que guardou toda a sua “poupança” em outros países. E a prisão por pouco tempo é totalmente vip e bem melhor do que uma festa permanente de aniversário.
Os países, cujas democracias foram para o brejo por causa de políticos ladrões transformaram-se completamente graças à coragem do seu povo, que saiu às ruas, mesmo morrendo, sendo torturados e passando supremas necessidades. Quem conhece um pouco da História do Haiti deve saber disso. O povo revoltou-se. Na França ocorreu o mesmo com o dístico: Fraternidade, Igualdade, Liberdade, transformando o mundo para melhor. Apenas o Brasil ficou fora desse contexto. A República foi instalada por um golpe militar em 1889, em razão do medo e desespero dos ricos, principalmente dos fazendeiros por terem perdido em 1888 a mão de obra gratuita da escravidão. A escravidão depois da República continuou com o chicote chamado “salário mínimo” até os dias atuais. Daí surgiu a miséria absoluta.
Em razão do excesso de violência pelo fato de nossas leis serem fracas no que concerne à punição, a criminalidade aumenta a olhos vistos. É quase uma revolução. Enquanto vamos ficando nesta vidinha de violências gerando mais violências, o futuro trará violências maiores como já se pode analisar pelos assaltos mais sofisticados e verdadeiramente coordenados com pelotões de bandidos treinados para somente fazer aquilo. Isto continuando logo estaremos acostumados com as guerrilhas ao estilo das Farc e então a coisa vai degringolar porque o país é extenso e tem muitos lugares apropriados para uma guerrilha. Somente uma fração de nosso Exército está preparada para uma luta nas florestas.

Jeovah de Moura Nunes
escritor e jornalista, Autor do livro “És Mulher” entre outros.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

VIOLÊNCIAS GERANDO MAIS VIOLÊNCIAS!


Muitas pessoas com respeitosos conceitos costumam escrever elogiando o presidente Lula. Dizem que o Lula deu certo, que possui o dom de discursar muito bem e é um ótimo presidente. Não sei se tais individualidades estejam preparando um terreno para as próximas eleições deles, ou simplesmente sejam bajuladores. Talvez, nunca necessitaram de uma assistência médica em ambulatório público. Aqueles onde a massa da população se concentra em desespero por um atendimento menor que seja de um médico. Quem vai a um desses ambulatórios fica decepcionado não com o governo que sabemos ser míope, mas consigo próprio de ter acreditado que seria bem atendido. Percebe-se que a grande amizade de Lula com pessoas do tipo Hugo Chaves não é à toa. Segundo informações recentes depois desmentidas: passou a comprar gasolina da Venezuela para “socorrer” o amigo infiel, que está numa draga danada. Emprestou dinheiro à Cuba se não me engano um milhão de dólares. Emprestou também à Bolívia e outros tantos países. Antes disso a Bolívia, esperta como ela é, deu um golpe na Petrobrás. Tudo isto aceito pelo presidente Lula como se não houvesse no Brasil uns aproximados 30 milhões de pessoas em completo desespero, mais miseráveis do que pobres. Lula não governa o Brasil, quem o faz são os gorilas do PT. Ele segue apenas às exigências do protocolo governamental. E está satisfeito com isto porque pode agir como garoto propaganda com vistas a eleger Dilma: uma feroz guerrilheira do passado participante de várias ações violentas contra a ditadura, até no assalto aos cofres de Ademar de Barros. E Dilma sempre foi uma supercomunista. O presidente Lula num recente discurso de palanque disse que “é prioridade dele eleger Dilma”, porém nunca foi prioridade desse péssimo presidente melhorar o atendimento médico para o povo brasileiro.
Nós, povo, não fomos torturados pela ditadura militar como fizeram à Dilma. Porém, somos sempre torturados pelos péssimos governos de hoje, de ontem e quiçá do futuro, quando eles sequer têm a dignidade de nos contemplar com uma saúde mais humanizada. Mas, qual o quê! Quando estão no governo parecem desejar a nossa desgraça. Eles não querem investir o nosso dinheiro em serviços públicos melhores porque desejam desfrutá-lo enquanto estão no poder. Isto quando não nos roubam descaradamente. Não querem investir numa educação mais melhorada porque não pretendem educar os pobres. Mantendo-os ignorante, sem nenhuma ou péssima educação são presas fáceis dos políticos larápios. Com exceção da África não há outros países no mundo que se autodenomine de democrático, com tais comportamentos anômalos. Na democracia americana, por exemplo, o político mau caráter pega muitos anos de cadeia sem o luxo de prisão especial. No Brasil o político só vai preso depois que guardou toda a sua “poupança” em outros países. E a prisão por pouco tempo é totalmente vip e bem melhor do que uma festa permanente de aniversário.
Os países, cujas democracias foram para o brejo por causa de políticos ladrões transformaram-se completamente graças à coragem do seu povo, que saiu às ruas, mesmo morrendo, sendo torturados e passando supremas necessidades. Quem conhece um pouco da História do Haiti deve saber disso. O povo revoltou-se. Na França ocorreu o mesmo com o dístico: Fraternidade, Igualdade, Liberdade, transformando o mundo para melhor. Apenas o Brasil ficou fora desse contexto. A República foi instalada por um golpe militar em 1889, em razão do medo e desespero dos ricos, principalmente dos fazendeiros por terem perdido em 1888 a mão de obra gratuita da escravidão. A escravidão depois da República continuou com o chicote chamado “salário mínimo” até os dias atuais. Daí surgiu a miséria absoluta.
Em razão do excesso de violência pelo fato de nossas leis serem fracas no que concerne à punição, a criminalidade aumenta a olhos vistos. É quase uma revolução. Enquanto vamos ficando nesta vidinha de violências gerando mais violências, o futuro trará violências maiores como já se pode analisar pelos assaltos mais sofisticados e verdadeiramente coordenados com pelotões de bandidos treinados para somente fazer aquilo. Isto continuando logo estaremos acostumados com as guerrilhas ao estilo das Farc e então a coisa vai degringolar porque o país é extenso e tem muitos lugares apropriados para uma guerrilha. Somente uma fração de nosso Exército está preparada para uma luta nas florestas.

Jeovah de Moura Nunes
escritor e jornalista, Autor do livro “És Mulher” entre outros.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

VIVENDO SEM PERSPECTIVA DE FUTURO



No Brasil a ditadura em 1968 chegava ao auge com o temível AI nº 5. A partir daí os algozes tinham carta branca para fazerem o que bem entendiam. Havia torturadores de todos os matizes. Alguns até com bíblias na mão. Faziam o preso político ler alguns trechos mosaicos e depois o pau comia. E não havia ninguém para socorrer o pobre diabo. A Constituição era como ainda é, e sempre foi apenas letras mortas, inexpressivas e sem nenhuma atividade real, servindo apenas aos interesses escusos de pessoas socialmente privilegiadas. Residíamos eu, minha mãe e meus irmãos no bairro da Luz, perto de um Batalhão de Polícia, o “Tobias de Aguiar”. Subindo pela rua João Teodoro e atravessando a Avenida Tiradentes havia uma prisão. Não se podia passar pelas calçadas porque elas eram bloqueadas. Com as crianças ou menores não havia problema. E minhas irmãs menores que por lá passavam, quando iam para a escola, ouviam gritos estarrecedores.
As saídas de viaturas, carros brucutus e alguns tanques repletos de policiais da tropa de choque indicavam mais uma passeata de estudantes, (os únicos heróis deste país naqueles fatídicos tempos). E isto ocorria quase que diariamente. Os problemas políticos misturavam-se com a luta pela sobrevivência. Os empregos eram cada vez mais raros. A polícia prendia quem portasse Carteira profissional sem registro de emprego. Os empresários deitavam e rolavam sobre a infâmia vivida pelos trabalhadores, que possuíam os mesmos direitos de uma barata. Bem por isto ainda hoje tem quem aprecie saudosamente a ditadura. Claro, o capital ganhava tanto dinheiro que os bancos mal podiam guardar e o capital ainda financiava os torturadores. Tive um patrão que foi assassinado porque se negou a pagar.
Participei de muitas passeatas ao longo de cinco ou seis anos. Fui paralisando após a institucionalização da violência que foi o AI 5, pelo fato dos companheiros de lutas pacíficas desaparecerem nos subterrâneos da luta armada. Fiquei na dúvida: ou partia para a liberdade que a luta armada nos propiciava, ou ficava na escravidão de uma falsa cidadania. Mas, em razão de minha mãe ser viúva e com filhos menores fiz minha opção correta, pois ou estaria morto e desaparecido sem deixar vestígios e minha família também sofreria, posto que a ditadura além de cruel, corrupta e assassina também matava ou torturava as pessoas que eram parentes dos libertadores. Contudo, ainda participei das muitas passeatas que aconteciam. Numa delas, liderada pelo estudante Wladimir Palmeira, um gênio na arte do discurso relâmpago. Foi no Largo do Paissandu quando ouvíamos os principais lideres, que mostravam a camisa ensangüentada de um estudante morto na véspera. Palavras de ordem se repetiam pela multidão de mais ou menos vinte mil pessoas. Todos jovens.
A polícia chegou. Havia policiais de choque e cavalarianos. A tropa de choque subia a São João e os cavalarianos desciam em nossa direção. Na praça já tinha uns duzentos policiais com cães pastores nos observando. Algumas moças choravam. Palavras de ânimo eram proferidas aqui e ali, mas o choque era inevitável, pois estávamos cercados. Tremi nas bases, mas mantive o moral elevado. Com paus e pedras nas mãos fiquei com um grupo que tentava furar o bloqueio policial no rumo da praça da República. Conseguimos passar e fugimos numa correria louca. Alguns policiais tentaram nos pegar, mas foram ficando para trás. Quem ficou no Largo do Paissandu teve de lutar e boa parcela dos estudantes foi presa. Alguns ficaram aleijados de tanto apanhar. Este era e ainda é o Brasil digno de um Hitler, de um Stalin, de um Pinochet: países repletos de injustiças de cabo a rabo. As indenizações pagas aos que sofreram os abusos e torturas são de um valor semelhante àqueles dos porões da ditadura: tirânico, opressivo e esmolento. No entanto, não é assim quando se trata de políticos no poder, quando as indenizações assumem proporções de loterias, enriquecendo mais ainda a atual e rica politicalha. Às vezes chego a duvidar do futuro de nosso país, quando faço uma análise de nossa História. Entra década e sai década e nós continuamos com uma cidadania fajuta, sem futuro, sem político capaz de assumir o Brasil, o Estado, as Prefeituras com a devida seriedade. Todos eles dão a impressão de que querem se eleger para roubar. É esta impressão que fica e vai ficando cada década mais forte nesta verdadeira fantasia carnavalesca de cidadão brasileiro que vamos vivendo. Vivendo sem nenhum futuro.

Jeovah de Moura Nunes
escritor e jornalista, Autor do livro: “Memórias de um Camelô” entre outros livros.