quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

OBRIGADO, SENHOR, OBRIGADO!

Eu não acreditava, mas queria acreditar. No Natal de 1975 recebi a dádiva de acreditar para sempre. Minha filha, Alessandra, de três anos assistia TV deitada num pequeno tapete no chão da sala. Já havia algumas semanas que um comercial encantava a menina, apresentando uma boneca chamada “Cosquinha”. À medida que se fazia cócega nas plantas dos pés da boneca, esta se punha a rir gostosamente. Estávamos a vinte dias do Natal. Eu como sempre desempregado, sem dinheiro e sem perspectiva de tê-lo no bolso. Minha filha aproximou-se e abaixou o livro sem cerimônia em minhas mãos e apontou a TV: – Je, eu quelo a boneca cosquinha e o carrinho da boneca! Respondi-lhe tentando dissimular: – Filha o papai já falou que vai comprar uma boneca que não ri, nem chora, mas é bonitinha igual a você! – Não quelo – retrucou a menina – só quelo a cosquinha e o carrinho.
De repente e pela primeira vez na minha vida tive a idéia de tentar acreditar, mesmo não acreditando nos poderes da mente. Precisava testar. Necessitava de uma prova para me dar ao luxo de ter fé, o velho problema da humanidade. Chamei a pequerrucha que já se afastava chorosa e então lhe disse com todas as palavras pausadamente: – Filha, você só quer a boneca cosquinha e o carrinho da boneca, né? – ela respondeu meio desconfiada e quase sorrindo, que sim. Disse-lhe então que ela iria ganhar no Natal do Papai do céu. A menina bateu palminhas numa alegria incontida, sorrindo satisfeita. – Mas, tem uma coisa – fui dizendo, tomando-a nos braços e aconchegando-a no colo – você deverá todos os dias até o Natal dizer para o Papai do céu três vezes quando for dormir à noite e mais três vezes quando levantar pela manhã: “o Papai do céu vai me dar a boneca cosquinha e o carrinho da boneca no Natal. Muito obrigada Papai do céu”. Minha filha passou a fazer as orações do jeito que lhe pedi ao deitar-se e ao levantar-se. Uma noite ela acordou a mim e minha esposa para nos lembrar de que não havia feito a oração. E – jamais me esquecerei daquela cena – ajoelhada no berço pôs as mãos em palma e recitou três vezes a prece petitória, gesto que me calou fundo.
No dia 23 de dezembro surgiu uma oportunidade para mim. Eram bichos e bonecas de pelúcia, daquelas que se costurava apenas a cabeça a um corpo de enchimento de isopor. Não era muita coisa, mas recebi um prazo bom de pagamento e as vendas dariam para o Natal. Entretanto, as vendas nas ruas mesmo debaixo de chuvas surpreenderam-me e tive o cuidado de reservar uma das bonecas de pelúcia para minha filha, já que sabia não ter condições de comprar a boneca cosquinha. Minha esposa e eu havíamos combinado passar o Natal na casa de minha mãe, a qual costumeiramente fazia uma festança na noite da véspera. Ela residia próxima a estação da Luz no bairro de mesmo nome. Minha esposa e a menina foram para lá, enquanto eu resolvi perambular por toda São Paulo atrás da cosquinha e do carrinho. Este último consegui comprar, mas a cosquinha não encontrava e quando localizava uma por acaso, o preço era exorbitante, entre 3 a 4 mil cruzeiros.
Pela uma hora da madrugada as lojas já fechavam as portas. Resolvi desistir e voltar para casa de minha genitora. Foi neste momento que me deparei com uma loja, cuja porta estava baixada até um metro do solo. Olhando por baixo da porta percebi que lá dentro separavam caixas e limpavam as prateleiras. Um homem perguntou-me o que eu queria. Expliquei-lhe adentrando a loja. A resposta não demorou: – Não tem mais! – agradeci e fui saindo devagar, quando ouvi:
-Moço! Moço! – Voltei-me e vi um rapaz loiro no alto de uma escada segurando a boneca tão desejada, a qual gargalhava sem parar acionada que fora pelo dispositivo eletrônico. Ela ficara esquecida no fundo da caixa e em razão disso não fora vendida. Fiquei chocado e sem fala. Mas, havia ainda o preço e procurei aparentar tranqüilidade. – Quanto é? – indaguei amedrontado. O proprietário respondeu: – seiscentos cruzeiros. Faço a preço de custo por ser a última venda deste Natal. – Respirei aliviado e agradecendo intensamente a Deus e ao comerciante.
O relógio do Mosteiro de São Bento badalava a uma e trinta da madrugada do dia 25 de dezembro de 1975, enquanto eu sobraçava um belíssimo troféu conquistado não por mim, mas pela minha filha Alessandra. As lágrimas não paravam de descer de meus olhos e surpreso e atônito fui repetindo em voz alta:
-Obrigado Senhor, Obrigado!

Jeovah de Moura Nunes
Escritor e jornalista autor do livro “Prepare-se para o sucesso!” entre outros livros.

O PROTESTO DA NATUREZA



A natureza, através de seus meios de manifestação, protesta com veemência contra o homem e a favor do homem. Tive esta sensação quando assistia pela TV, os moradores de várias ruas na capital paulista jogarem no leito carroçável da rua seus móveis, tais como: camas, colchões, receptores de tv recém adquiridos a duras penas, berços, guarda-roupas, geladeiras, estantes, livros e tudo que fosse inútil pela deterioração com a presença de águas enlameadas, ou saídas dos esgotos à céu aberto em razão dos temporais cada dia mais violentos. Algumas lágrimas ficam impossíveis de serem retidas ao descerem pelo meu rosto. Sim, porque todos nós temos a possibilidades de se colocar no lugar daquelas pessoas. Hoje são elas, amanhã poderá ser nosoutros. A natureza não respeita comezinhos. É ativa e pró-ativa e está sempre em movimento. Tais chuvas ainda são bênçãos no Brasil, muito diferente dos tufões, dos furacões, dos terremotos, maremotos e tsumanis ocorrendo regularmente pelo planeta em áreas densamente povoadas, matando assim milhares de pessoas. O planeta ruge apesar de não ouvirmos nada em nossa surdez disfarçada. Um vulcão pode surgir no chão de nossa casa e aí sim acreditaremos por alguns segundos na manifestação divina. Cada pessoa que sobreviva a uma hecatombe terá a partir daquele momento muito mais fé. Fé em tudo, até em Deus se não possuía anteriormente.
A natureza não se vinga, apenas protesta e este protesto serve muitas vezes para sacudir nossos políticos bons e maus. Os bons nada fazem para justificar o cargo que ocupa; os maus são os ladrões em alta escala. Isto explica as condições terríveis de vida da população pobre manipulada pelo Estado. “Ser pobre no Brasil é ser ninguém/ É ser trambolho que se evita e afasta/ Lei que o proteja logo se desgasta/ Na má vontade dos que tudo tem”. Estes versos são de meu pai e foram escritos na década de 40 do século passado. É um soneto mostrando o perfil do pobre na sociedade brasileira hipócrita daqueles tempos e de hoje também. Não coloquei as outras estrofes para poupar espaço, mas só estes quatro versos já dão uma idéia do tratamento da pobreza desde sempre no Brasil. A vida do pobre no Brasil não é muito diferente da vida do judeu no nazismo. Esta verdade é fácil de ser percebida, quando os diversos governantes brasileiros fingem cuidar dos pobres, ou seja, mentem com um paternalismo fora de moda e deixa o pobre morrer à míngua; já no nazismo não fingia nada e havia sinceridade quando tratavam na paulada os judeus.
A natureza não alcançou ainda as casas fortificadas dos ricos, enquanto destrói a casa e a vida dos pobres. Mas, acredito que irá chegar lá porque o rico tem muitas coisas para pagar e também muitas para perder, quando o pobre já perdeu tudo, até a vida. A natureza não se vinga, apenas protesta, avisa e ensina ao brasileiro pobre como protestar, mesmo porque até hoje neste país o pobre bancou o gatinho bonzinho, mas poderá se metamorfosear numa entidade apocalíptica e ocorrer um gigantesco acontecimento semelhante à Rússia em outubro de 1917. Aquela revolução, embora tenha durado mais de 70 anos, mudou totalmente a maneira de interpretar a cidadania e fez com que o mundo progredisse a olhos vistos, em razão principalmente da concorrência entre dois mundos com sistemas de governos contrários. Daí em diante o pobre deixou de ser trambolho e sim gente, como verdadeiramente é. Apenas um país chamado Brasil continua até hoje a tratar os pobres como se fossem prisioneiros num país repleto de políticos farsantes, de impostos exorbitantes, sem socorro médico, sem salário adequado, sem educação pujante e com uma criminalidade crescente em razão principalmente de uma impunidade crônica deixando o homem honesto cada vez mais envergonhado em sua honestidade, visto que por qualquer erro o pobre é logo preso, cumpre sentenças longas num país que está mais para ser uma província oriental de Xátria.
Sou um anticomunista, mas sou também um anticapitalista, principalmente quando o capitalismo está mais para um feudalismo nojento muito comum em todas as cidades do Brasil e quando a proclamação da República tenha sido um golpe militar e não uma revolução populista. Viver no Brasil de hoje está ficando pior do que viver na Rússia dos tempos da URSS. Eles, com toda a tragédia que viviam naqueles tempos, conseguiram derrotar o nazismo de Hitler, porque foram os primeiros a chegarem em Berlin, destruindo-a completamente.

Jeovah de Moura Nunes
escritor e jornalista, Autor do livro “Memórias de um camelô” entre outros livros

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O DIABO



“Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós, os doze? E um de vós é diabo.” – (João, 6:70).
Quando a teologia se reporta ao diabo, o crente imagina de imediato, o senhor absoluto do mal, dominando num inferno sem-fim. Na concepção do aprendiz, a região amaldiçoada localiza-se em esfera distante, no seio de tormentosas trevas. Sim, as zonas purgatoriais são inúmeras e sombrias, terríveis e dolorosas, entretanto, consoantes à afirmativa do próprio Jesus, o diabo partilhava os serviços apostólicos, permanecia junto dos aprendizes e um deles se constituíra em representação do próprio gênio infernal. Basta isto para que nos informemos de que o termo “diabo” não indicava, no conceito do Mestre, um gigante de perversidade, poderoso e eterno, no espaço e no tempo. Designa o próprio homem, quando algemado às torpitudes do sentimento inferior. Daí concluirmos que cada criatura humana apresenta certa percentagem de expressão diabólica na parte inferior da personalidade. Satanás simbolizará então a força contrária ao bem. Quando o homem o descobre, no vasto mundo de si mesmo, compreende o mal, dá-lhe combate, evita o inferno íntimo e desenvolve as qualidades divinas que o elevam à espiritualidade superior. Grandes multidões mergulham em desesperos seculares, porque não conseguiram ainda identificar semelhante verdade. E comentando esta passagem de João, somos compelidos a ponderar: - Se, entre os doze apóstolos, um havia que se convertera em diabo, não obstante a missão divina do círculo que se destinava à transformação do mundo, quantos existirão em cada grupo de homens comuns na Terra?”.
O texto acima é de autoria do Espírito Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, constante no livro “Pão Nosso”, texto de número 164, página 339. Resolvi colocar este vigoroso texto porque estamos vivendo nestes últimos anos violências das mais cruéis e só visualizadas nas guerras, além dos diabólicos esquemas de corrupções principalmente nos meios das autoridades políticas. E isto está acontecendo no Brasil, um país que sempre se gabou de ser pacífico, religioso e apegado ao cristianismo. Emmanuel ponderou que se entre doze apóstolos havia um diabo, apesar da divina missão, quantos existirão em cada grupo de homens comuns? Eu diria que os diabos em um agrupamento gigantesco como o Brasil daria para formar outro Brasil só de diabos. Inocentes são mortos diariamente por indivíduos sem alma e sem coração. Mata-se a troco de nada e o governo mata muita gente de fome, ou deixa-os a mercê das necessidades prementes conforme vemos nos grandes lixões e este mesmo povo ainda aprova estas “coisas diabólicas” no poder. O fato é que os diabos brasileiros ficam na impunidade e os santos são sacrificados. O pobre é assediado e roubado pelos diabos, que permanecem impunes em razão das leis mais fajutas do mundo.
Diante da necessidade urgente de leis mais severas, que jamais virão, em razão principalmente do falso conceito brasileiro republicano-moralista, ou enganador, visto que os políticos muitos deles são verdadeiros bandidos com caras de anjos e não são punidos é onde assistimos cenas comuns de roubos, de distribuição de dinheiro vivo carregado dentro de cuecas, meias e bolsos. São os atestados de que este país abriga ladrões aos montes, ou os “diabos” em grande profusão. Ladrões estes, que por serem políticos permanecem impunes e até regressam com a maior cara de pau para novas eleições e o povo, também diabólico, gosta e os elege novamente. O pobre fica numa encruzilhada entre a honestidade e a desonestidade e se resolve cair na criminalidade, tão comum entre os políticos, aí então o caldo engrossa. O pobre é preso, apanha como um cachorro e paga penas severas, enquanto o político-ladrão fica na boa vida e é eleito sempre que ele queira. O povo merece tudo isto porque afinal até hoje não passa de gado vacum tocado e levado pelos políticos à qualquer lugar, numa enganação nem mesmo praticada pelos antigos romanos. No país do futebol e carnaval somos testemunhas de que isto está mais para a desgraça de um povo do que para a infelicidade de vivermos num lugar não sério e de homens não sérios, principalmente os que usufruem o poder.
Aos meus caros leitores deixo aqui o meu abraço neste Natal de 2009, pedindo escusas por esta matéria nada natalina, porém verdadeira.

Jeovah de Moura Nunes
Autor do romance “A cebola não dá rosas” entre outros livros

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

JESUS: AINDA NÃO O DESPREGAMOS DA CRUZ!



O filme de Mel Gibson “Paixão de Cristo” desenterrou dos escombros de iniqüidades dos cultos religiosos, a verdade absoluta de que os padecimentos de Jesus foram, excepcionalmente, os mais cruéis, mesmo naqueles obscuros tempos, ultrapassando e muito os limites da resistência humana. A exacerbada religiosidade, ou ainda o fanatismo desavisado cegou de tal maneira os atuais seguidores de Cristo que, não acreditaram e muitos ainda não acreditam na extraordinária versão do diretor Gibson. Afeiçoados as suas boas vidas, os protestos de líderes religiosos foram a tônica conseqüente do filme, a nosso ver a mais próxima da realidade. E protestaram de maneira infantil. Sem procurar enxergar nas últimas doze horas de Jesus as mais reais e prováveis extravagâncias, no que concerne à tortura de um ser humano.
Por que este realismo? Porque os atuais cristãos, totalmente afastados dos verdadeiros propósitos do Evangelho, hipnotizados pelo supermaterialismo, pelo excesso de sensualismo, pelas iniqüidades da vida material, necessitavam e necessitam compreender a veracidade dos fatos, que consumaram a vida terrena do maior Emissário celeste que já pisou neste planeta. Compreensão esta, sempre refutada ou pouco avaliada pelo mundo cristão. Com o filme, o cineasta Gibson trouxe o debate novamente. Trouxe uma nova verdade não assimilada, ou recusada por aqueles que não apreciam, ou não observam o sofrimento alheio. Não há opiniões, nem crenças, que sejam maiores do que a verdade provada e comprovada.
A morte por cruz era o insulto decretado para as castas inferiores, cujos crimes eram de roubos, assassinatos, revoltas contra o poder vigente, as fugas de escravos, escravos rebeldes, ladrões e assassinos. Todo aquele que o poder de Roma execrasse, tinha o terrível destino de morrer na cruz. Claro que mediante julgamento quase sempre sumário.
A cruz permaneceu tradicional como instrumento de tortura e morte, porque os padecimentos eram prolongados. Os próprios carrascos apreciavam essa fórmula, uma vez que os deixavam à vontade. Bastava pendurar o condenado na cruz, quebrar-lhe as pernas para evitar a fuga e o resto era sossego. Esperar que o condenado morresse, o que demorava dias. E até uma semana, dependendo de quantos corvos, ou urubus havia na região.
Quando, porém o condenado era um criminoso odiado, tanto pela população quanto pela autoridade e os carrascos, então a morte na cruz acabava por ser rápida em razão das torturas e sevícias anteriores. Chegando ao local da crucificação o condenado já estava mais morto do que vivo. E, neste caso a cruz era um consolo final. Isto era uma constante no império romano. A morte na cruz poderia ou não ser abreviada, dependendo do que se fazia antes da crucificação com o condenado. Se este era levado íntegro ao local da crucificação, todos já compreendiam que a morte daquele condenado era a mais penosa de todas, em razão da demora. Os músculos dos braços travavam e endureciam. As dores penetrantes eram irresistíveis com a agravante de não se interromperem, porque não havia como movimentar os braços. Quase ninguém consegue permanecer com os braços abertos durante vinte minutos. E se o fizer ficará com dores difíceis de suportar ao final desses dez minutos. E ainda havia os urubus, os quais já estavam acostumado com aquele cardápio alimentar.
Talvez os céus tenham ficado sensibilizados com aquela tragédia humana, que já durava milênios. Com a vinda de Jesus a cruz foi posteriormente abolida.
A contundente prova de que o Mestre Divino foi torturado excessivamente, antes da crucificação, é patente e irrefutável. A humanidade não desejando imaginar, o seu mais idolatrado filho de Deus torturado, humilhado e depois morto na cruz de forma abominável, esqueceu-se do pormenor de que três horas foram a duração de Cristo na cruz, quando uma crucificação e morte perfaziam vinte dias ou mais em condições diferentes de tratamento.
E evidente e louvável tentar esquecer isso tudo. É humano. E apostamos que o próprio Jesus apreciaria o fato de todos nós esquecermos daquele instrumento terrível. Bem que poderíamos lembrar de Jesus como um homem normal, longe da cruz, longe da humilhação de que foi alvo. Contudo, se ainda insistimos em examinar aquelas cenas sanguinolentas é porque vivemos num mundo semi-selvagem, violento e cheio de misérias humanas. Temos esquecidos das lições do Mestre. Temos olvidado suas mais sublimes palavras, constantes de Seu precioso Evangelho. Temos esquecidos de Jesus. Temos esquecido de nosso próprio destino, quando perdemos na memória as lições de Jesus. E hoje, depois de tanto tempo, só enxergamos Jesus pendurado numa cruz. Por que será que ainda não O tiramos da cruz?

Jeovah de Moura Nunes
escritor e jornalista
Autor de "Versos à Revelia" entre outros livros
jeovahmnunes@hotmail.com

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

TUDO FICA COMO ANTES NO QUARTEL DO ABRANTES

TUDO FICA COMO ANTES NO QUARTEL DO ABRANTES

A
pesar das revanches planetária na tentativa de equilibrar o clima, o Brasil numa atitude muito própria da bandidagem, continua destruindo a floresta amazônica e outras florestas pelo país todo. Cada dia que passa vamos nos aproximando do nosso dia de cão, quando os temporais, os tornados, as chuvas devastadoras, enchentes, telhados que voam, o mar que invade cidades litorâneas, enfim, o caos que poderíamos chamar de vingativo porque moramos numa casa que tem vida própria e nunca necessitou de seus moradores bípedes e inteligentes. Somos tão inteligentes que nunca prognosticamos este futuro que chegou ameaçador para nós e nossos descendentes. Estes, ao partirmos para o além, ficarão lançando impropérios contra nós que começamos esta banalização da natureza, esta inexplicável destruição. Somos seres merecedores da revanche planetária porque nossas intenções, desde o início, eram a destruição. Além disso, somos hipócritas porque estamos sempre querendo um altar de deuses para ditar rezas, achando que o verdadeiro Deus nos salvará na hora que precisarmos.
Na verdade, pela extraordinária bondade de nosso Paizão, nós jamais morreremos porque somos espíritos, semelhantes ao nosso Deus. A diferença é que Ele deseja que nós aprendamos com os nossos próprios sacrifícios. Sem sacrifícios, sem aprendizagem. A destruição do planeta levar-nos-á ao sacrifício e através deste aprendizado seremos, em outro planeta semelhante à Terra, bem mais educados e amantes da natureza. O próprio índio já teve a sua experiência em milhares de vidas e hoje o respeito à natureza não é um mandamento, mas uma prática comum. Sei que boa parte de meus leitores entenderão o que desejo passar, outra parte apegada a mandamentos e lavagens cerebrais discordarão como sempre. Não ligo, porque cada um é livre para viver a sua própria filosofia, não sendo, é claro, a filosofia da destruição. Porém, o que tem prevalecido é justamente esta filosofia. E para o Senhor de Todas as Coisas se seus filhos querem a filosofia da destruição serão totalmente atendidos, porque para Deus um planeta é um grão de areia no espaço, embora seja a casa de seus amados filhos vivendo na carne.
Daqui a vinte, ou trinta anos muitas praias brasileiras desaparecerão mesmo se interrompermos totalmente a destruição. A natureza segue um curso. Se o comportamento humano da destruição for interrompido, ela, a natureza continuará seguindo o mesmo curso até chegar ao ponto de interrupção. As periódicas reuniões sobre o clima da Terra não passam de perda de tempo. São representantes de vários países, homens de precioso conhecimento, mas que vão para essas reuniões já sabendo que nada será resolvido. O capitalismo selvagem comanda essas reuniões. “Tudo fica como antes no quartel do Abrantes”, já dizia no começo dos anos sessenta meu amigo de bar Vicente Leporace.

Jeovah de Moura Nunes
Escritor e jornalista
Autor de “Memórias de um camelô” entre outros livros

ESTAMOS MESMOS MAIS PARA O IRÃ



A visita ao Brasil do presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad foi realmente um tiro no escuro do presidente Lula. Claro que atirar no escuro pode acertar outras pessoas e acertou em cheio muitas pessoas. Houve passeatas, protestos, muitos países através da imprensa protestaram e criticaram duramente o “novo e velho Lula lá”. No Brasil apesar dos protestos realizados só o povo judeu realmente fez uma grandiosa passeata. Eles sabem o que seus genitores sofreram no passado nas mãos de “Satanás”, também conhecido como Adolph Hitler.
Os brasileiros têm o presidente que merecem ter, um homem sem estudo, sem uma esmerada educação, sem a tática que deve colocar um país no gelo como o Irã, disposto a destruir Israel. E se o Irã conseguir a bomba atômica, Lula será responsável também pela destruição de um povo, mesmo que tenha fingido ao dizer que “apoia o programa nuclear iraniano sendo para fins pacíficos”. O povo judeu lutou e ainda luta para sobreviver com grande determinação, desde os tempos nazistas até hoje porque ainda existem pessoas neste mundo que tem alma de nazista. Afinal, quem apoia um país como o Irã deve ter a frieza dos assassinatos, visto que os aiatolás adoram a matança de seus desafetos políticos. Muitos que protestaram contra a eleição fraudulenta de Ahmadinejadeadlenta do Ahmadinajanitores sofreram no passado nas m já estão condenados à morte e outros tantos já foram para o lado de lá. E apenas protestaram, coisa muito própria da democracia. Mas, um povo, cuja masculinidade não aceita a liberdade da fêmea da espécie, com certeza é um povo de vida tribal e jamais poderíamos colocar aqui a liberdade democrática que eles sequer conhecem, mas vivem apregoando uma estranha democracia suicida.
Um país onde a religião manda é algo assim da idade da pedra lascada, tanto que as mulheres lá têm o mesmo valor de um cachorro, ou de um jumento. Lula devia morar lá, para quando entrar no templo a esposa dele ficar lá fora esperando, visto que mulher não entra. Pouquíssimos são os direitos da mulher no Irã dos aiatolás, que atolaram o país nessa escuridão sem tamanho. Os tempos do Xá Reza Palevi, quando o Irã tinha o nome de Pérsia, já deixam muitas saudades, apesar do fraudulento governo principesco, ou de um reinol jamais honesto e deturpado democraticamente.
Hoje é a América do Sul que atravessa uma fase política bastante perigosa. Os sentimentos dos europeus a partir da década de vinte do século passado são semelhantes aos sentimentos da população de hoje aqui na “South America”. Países como a Venezuela estão se transformando numa bomba de alto poder explosivo na medida em que outras ditaduras crescem. Homens que se vestem sempre de vermelho buscam uma simbologia que vai se transformar no vermelho sanguinolento. Lula ainda tem um ano inteiro para permanecer no poder. Isto já é suficiente para um golpe de estado acontecer numa madrugada qualquer de 2010. E com o apoio de 80% da população o golpe seria um sucesso para os petistas. Certamente copiariam o “el paredon” dos cubanos e dia e noite ouviríamos tiros e brasileiros, contrários assim como eu, tombariam dentro da liberdade espiritual de cada um. Se na ditadura de direita a gente apanhava, na ditadura de esquerda nós seríamos sumariamente fuzilados, ou enforcados dentro de cadeias construídas para esse desiderato macabro, copiando evidentemente os costumes nazistas.
Pobre República brasileira onde predomina a violência e a maledicência política. Cada dia que passa é um dia repleto de notícias da ladroeira brasileira dos políticos. Se é que são políticos. O conceito de política é amplo e bem mais assestado como sendo a arte ou a ciência de governar. A arte e ciência da organização, direção e administração de nações ou estados. Contudo, no Brasil esta arte transformou-se em “arte de roubar”. Roubar principalmente dos pobres, esse povo brasileiro, que na sua ingenuidade, para não chamar de ignorância, aceita calado tudo o que essa politicaria brasileira está acostumada a realizar para o bem, jamais do povo, mas para eles particularmente. Tanto é verdade que a população brasileira está longe de ser bem atendida numa emergência hospitalar. Não existe educação adequada. Sem educação o pobre não consegue bons empregos e os ricos dançam e sambam nas costas dos pobres. É um país que está mesmo mais para o Irã do que para uma boa, futura e ótima democracia.

Jeovah de Moura Nunes
Jornalista e escritor
Autor de "Pleorama" entre outros livros

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

E O TREM JAUENSE DA ALEGRIA CONTINUA FIRME!

Estamos chegando ao fim do ano e o atual prefeito de Jaú parece não ser diferente do burgomestre anterior, visto possuir as mesmas características daquele que eu chamo de “a Coisa”. Possui o dom de praticar muito bem o “oba! Oba!”. Mas, fica só nisto. Até hoje não encontrei diferenças nas personalidades políticas de cada burgomestre. Todos pretenderam ser o salvador da cidade e todos não salvaram, nem melhoraram nada. Este, talvez fique conhecido como “O Prometeu”, em razão das muitas promessas. Todos nós conhecemos o clima de presságios e alegrias dos novos prefeitos. Alegrias, apenas no primeiro ano, depois começam as cobranças mais duras da população e aí nasce a desconfiança de que é mais um que vai ficar para a história por não ter feito absolutamente nada. Claro que todos nós desejamos o contrário, isto é: mudanças, progresso para a cidade como um todo. Porém, basta darmos uma olhada na história de Jaú e vamos descobrir os poucos prefeitos que ousaram mudar alguma coisa materialmente falando e isto foi quase nada. Quando aqui cheguei, há 52 anos, havia muitas esperanças no ar. Com o tempo tais expectativas foram morrendo e hoje o jauense acostumou-se com a velha rotina. Cidades vizinhas se agigantaram rapidamente com prefeitos atuantes na indústria, comércio, saúde e educação. Nós tivemos nesses mais de 50 anos um crescimento pífio, sob controle de um industrial que não aceitava a vinda para Jaú de novas empresas e conseguia isto com facilidade, já que mandava nos prefeitos. Simplesmente não queria perder seus empregados mal pagos para outras empresas. Assim qualquer um ficaria também podre de rico. Hoje são as redes barateiras de grandes supermercados que não vêm para Jaú. Por que será, hein Piu-piu?

Fico desapontado quando vejo um partido político como o Verde, nascido de mulheres guerreiras na Europa nos anos 60 e 70, não tendo nenhum compromisso com o verde das florestas brasileiras em franca destruição e das queimadas em canaviais que tanto prejudicam a atmosfera jauense, atingindo principalmente os idosos. Torna-se esta verde filosofia mais uma maneira de ludibriar a população. Fica a impressão de que tentam apenas conquistar os altos cargos levando os “amigos do rei” juntos. Espero sinceramente que no decorrer do tempo provem ao povo jauense o contrário, porque até agora tudo continua como se vivêssemos sob as rédeas da “Coisa”, hoje desesperado para se tornar um deputado à toa porque nada fará por Jaú. Com certeza se fizer algo será apenas para ele mesmo. A única coisa deixada pela “Coisa” foi o “money” para asfaltar as ruas do Cila e o novo burgomestre concluiu com grande alarde.

O partido “Verde” era para no mínimo buscar os esforços em proteger a natureza, mas não vemos ninguém do PV pronunciar um duro discurso ambientalista. São discursos na maciota e ao fazerem não colocam o meio ambiente como uma das prioridades do partido. Pelo contrário estão é divulgando políticas interesseiras, ainda por serem realizadas e ao mesmo tempo em que enchem a prefeitura de familiares e de protegidos políticos, talvez a única política dos falsos políticos brasileiros. É mais um trem da alegria, onde indivíduos chegadinhos do burgomestre arrumam facilmente empregos pagos por nós, os “Otarianos da Silva”. Fora do poder são mestres em discursos que versam sobre a proteção da natureza; dentro do poder mudam o discurso e passam a agir com as mesmas características da “Coisa” em seus oito inúteis anos. Até quando isto vai durar? Ora, com esta República travestida de monarquia pelo excesso do zeloso nepotismo, irá durar para sempre o atual e deprimente status dos jauenses, sustentando essa bandalheira explicitamente não concursada.

O simples fato de um governante praticar em sua gestão o emprego público sem concurso, excetuando-se os cargos de confiança, faz dele uma pessoa totalmente incapaz de governar, porque já desrespeitou a Constituição, ou as leis que regulam este comportamento. E quem não respeita a lei está fora da lei. E como disse Rui Barbosa: “fora da lei não tem salvação”. Mas, nos tempos do “Ruizinho” as leis eram cumpridas. Nós não somos dignos de vivermos numa democracia, quando toleramos políticos que não cumprem as leis. Cadê o Judiciário, através da Promotoria pública, para acabar com toda essa bandalheira? O presidente do STJ, Gilmar Mendes, com certeza tem ódio, raiva e alergia da irresponsabilidade de um trem da alegria. Eita Republicano arretado!

Jeovah de Moura Nunes
Escritor e jornalista, autor do romance “A cebola não dá rosas”, entre outros livros.